sexta-feira, 9 de julho de 2010

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON

Há alguns dias atrás tive a oportunidade de assistir um grande clássico “O curioso caso de Benjamin Button” drama baseado no clássico romance homônimo escrito por F. Scott Fitzgerald nos anos de 1920, que conta a história de Benjamin Button (Brad Pitt), um homem que misteriosamente nasce velho e começa a rejuvenescer e passa a sofrer bizarras conseqüências do fenômeno. Button estranhamente, chega a New Orleans de 1918 quando a primeira guerra está chegando ao fim, e a partir disso começa a ficar mais jovem.

O filme é uma ficção, claro, mas refletindo sobre esse filme cheguei a uma conclusão: parece que a nossa sociedade está vivendo o estranho fenômeno “Button”.

Estranhamente os homens sem perceber são escravos de um sistema que tira toda nossa liberdade, rouba a felicidade, e nos escraviza sem perceber; curioso é falar sobre escravidão em pleno século XXI, em uma sociedade tão avançada em tecnologia, e facilidades, marcada pela autonomia e independência, pela liberdade de expressão, enfim, a grande pergunta é: Afinal de contas não somos livres o suficiente?

A nossa sociedade não conhece uma definição para a palavra “liberdade”, falar de independência só se for no grito do Ipiranga; a única independência que o homem tem é a de Deus (e não é nenhum pouco positivo essa independência), nos tornamos totalmente dependentes de “coisas”; Coisas essas tão levianas como internet; há poucos dias consultei alguns adolescentes entre 14 e 16 anos que não conseguem passar um dia se quer sem ficar horas e horas no PC, eles dizem que não há nenhum problema em gastar varias horas do dia na net desde que você saiba como usá-la. Bem parece que isso é inofensivo, porém, aos poucos nossos jovens e adolescentes estão se tornando tão alienados dos grandes problemas que os cercam, estão se tornando insensíveis para com o mundo e com as pessoas, estão perdendo a noção das belezas naturais e se prendendo há um mundo virtual. Para ver como isso é verdade imagine como seria um dia sem internet. Para muita gente isso seria um inferno, olha o nível que chegamos, não conseguimos ter uma vida normal, nos tornamos escravos de uma maquina.

Somos escravos da mídia, infelizmente para uma sociedade que se diz “liberal” que todos têm o direito de falar e expor sua opinião, afinal tudo é relativo, mas na pratica isso não esta funcionando, basta você analisar o mercado de trabalho; a ultima pessoa que uma empresa quer contratar é alguém que tenha suas próprias ideologias. Outro dia estive com um amigo que trabalha para uma multinacional e que teve o privilégio de ser promovido a supervisor, ele me contou todo o processo de seleção e também sobre a entrevista com a psicóloga, no final foi aprovado com o seguinte laudo:

”Pessoa fria que não demonstra afetividade, mas trabalha para atingir suas metas e obedece sem questionar uma ordem”.

Se você quer ser bem aceito nos círculos acadêmico, profissional, e religioso uma boa dica é não questione e nem exponha suas opiniões, simplesmente obedeça; estranho é conciliar isso com a liberdade de expressão pregada em nossa sociedade, isso é um grande paradoxo. E que tal a escravidão imposta pela mídia que padroniza a beleza em seus moldes, e aqueles que não possuem tais características se odeiam, não se sentem bem consigo mesmo porque a mídia e o sistema dita o penteado, as roupas que vestimos, o corpo que devo ter, os lugares que freqüentamos e as coisas que compramos, e na maioria das vezes compramos não por que queremos ou precisamos, e sim para não ficarmos para trás, ou seja, não podemos nem ter nosso próprio estilo porque seremos considerados antiquados; e o que dizer do mundo dos celulares, cada dia surge um diferente, antigamente era só para fazer ligação, depois passou a tirar foto, ouvir musica, internet, televisão (só falta criarem um que faz bolo), mas o pior é que não nos contentamos em ficar para trás com um "antigo" (antigo que foi laçando há 1 ano atrás), a grande questão é que estamos tão presos e tão acostumados aquilo que a mídia e o sistema inventam e pede para engolirmos que nem percebemos (não sou contra as inovações tecnológicas e os avanços científicos, pelo contrário, admiro muito e utilizo no meu cotidiano).

A conclusão que chego é que o fenômeno “Button” esta presente em nossa sociedade, Benjamin Button nasceu velho, com a pele bem enrugada, com os olhos cheios de catarata, enfim, todos pensavam que morreria rápido, porém os anos se passaram e a pele aos poucos foi esticando, os olhos clareando, etc. Nós saímos do período do paleolítico começamos evoluir, construir casas de alvenaria, nos vestir com peles finíssimas, passamos a cultivar e aproveitar a natureza, enfim, passamos daquela civilização precária para o conforto; Button continuou rejuvenescendo de uma forma incrível e se tornou um jovem tão belo encenado pelo ator Bradd Pitt (eu não o acho belo). Nossa sociedade também evoluiu chegamos a um ponto tão alto, construções magníficas, o homem aprendeu a voar, aprendeu a se comunicar com pessoas do outro lado do mundo em tempo real, aprendeu a curar doenças; tanta facilidade, beneficios e beleza, porém Button rejuvenesceu, rejuvenesceu e rejuvenesceu até se tornar uma criança, quando chegou aos 5 anos de idade já não se lembrava do que havia comido no café da manhã, mais algum tempo desaprendeu falar, andar e morreu como um bebê belo e formoso, mas morreu.

Nossa sociedade rejuvenesceu tanto, conquistou tanto, fez tantas descobertas, porém nossa espécie esta morrendo com suas facilidades e artimanhas, tudo porque não consegue usar aquilo que ele mesmo criou e acabou se tornando completamente dependente, perdeu sua liberdade e nem sabe disso.

Hoje os homens são "feras" em cálculos e números, os jovens são grandes mestres em software e hardware, enfim nos damos muito bem com a tecnologia, com as maquinas e com os números, porém, não conseguimos ter uma família feliz, não suportamos as pessoas, não conseguimos viver em sociedade e pior que isso não suportamos a nós mesmos, por isso depositamos nossa felicidade no trabalho, no carro, nos livros, naquilo que posso “ter” e nessa caminhada me esqueço de “ser”. Nossa sociedade não esta evoluindo, paramos de evoluir e começamos a involuir.

Redescobrir o saber é a proposta que lanço a você caro leitor, redescobrir o verdadeiro saber que não apenas enriquece meu bolso, e me de status na sociedade, mas que me torne um ser humano melhor, e passa a enxergar a beleza nas coisas simples, e descubra como é bom ser livre.




Texto por:

Prof: Fábio Souza de Lima

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